Cerca de duas horas da madrugada 9 de Abril , 27.d.C
O Segundo Julgamento: Sacerdotal
Anás mandou-o, manietado, à casa do sumo sacerdote Caifás, onde
os escribas e os anciãos estavam reunidos.
E os principais dos sacerdotes e todo o concílio buscavam
falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte, e não o achavam,
apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, mas os testemunhos não
eram coerentes. E, blasfemando, diziam muitas outras coisas contra Ele. E levantando-se
alguns, testificavam falsamente contra Ele, dizendo:
Nós o ouvimos dizer: Eu destruirei este templo, construído por
mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens.
E por fim, chegaram duas e disseram:
Este disse: Eu posso derribar o templo de Deus e reedificá-lo em
três dias.
E nem assim o testemunho deles concordava.
E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe:
Não respondes coisa
alguma ao que estes depõem contra ti?
Jesus, porém, guardava silêncio. E lhe perguntavam:
Se tu és o Cristo,
dize-nos.
Replicou-lhes Ele:
Se eu vo-lo disser, não
o crereis. E se eu vos interrogar, de modo algum me respondereis. Mas desde
agora estará assentado o Filho do Homem à mão direita do poder de Deus.
Ao que perguntaram todos:
Logo, tu és o Filho de Deus?
Respondeu-lhes:
Vós dizeis que EU SOU.
E o sumo sacerdote, insistindo, disse-lhe:
Conjuro-te pelo Deus
vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus.
Respondeu Jesus:
EU SOU. E vereis o Filho do Homem assentado à direita do
Poder e vindo sobre as nuvens do Céu.
Então o sumo sacerdote, rasgando as suas vestes, disse:
Blasfemou! Para que
precisamos ainda de testemunhas? Eis que agora acabais de ouvir a sua
blasfêmia, pois nós mesmos o ouvimos da sua própria boca. Que vos parece?
E todos o consideraram culpado. E respondendo, disseram:
É réu de morte.
E alguns começaram a cuspir Nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe
socos, e outros o esbofeteavam, dizendo:
Profetiza-nos, ó Cristo, quem foi que te bateu? Profetiza!
E os guardas do Templo davam-lhe bofetadas.
Cinco horas da
manhã
O Terceiro Julgamento: no Sinédrio
a decisão de entregá-lo
Ora, chegada a manhã, todos os principais sacerdotes e os
anciãos do povo, os escribas e todo o Sinédrio entraram em conselho contra
Jesus. E, manietando-o, levaram-no e O entregaram ao governador Pôncio Pilatos.
Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora
condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos,
dizendo:
Pequei, traindo o sangue inocente.
Responderam eles:
Que nos importa? Seja isto lá contigo.
E tendo ele atirado para dentro do Santuário as moedas de
prata, retirou-se e foi se enforcar.
E Judas, precipitando-se, rebentou-se pelo meio e todas as suas
entranhas se derramaram.
E tornou-se isto conhecido de todos os moradores de Jerusalém.
Os principais sacerdotes, pois, tomaram as moedas de prata e
disseram:
Não é lícito metê-las
no cofre das ofertas, porque é preço de sangue.
E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo do
oleiro, para servir de cemitério para os estrangeiros. Por isso tem sido
chamado aquele campo, até o dia de hoje, Campo de Sangue.
Cumpriu-se, então, o que foi dito pelo profeta Jeremias:
Tomaram as trinta moedas de prata, preço do que foi avaliado, a quem certos
filhos de Israel avaliaram, e deram-nas pelo campo do oleiro, assim como me
ordenou o Senhor.
O Quarto Julgamento: Penal
Jesus diante de Pilatos
E o levaram a Pilatos.
E não entraram no Pretório, para não se contaminarem, para poderem
comer a Páscoa.
Então Pilatos saiu a ter com eles e perguntou:
Que acusação trazeis
contra este homem?
Responderam-lhe:
Se ele não fosse
malfeitor, não o entregaríamos a ti.
Disse-lhes, então, Pilatos:
Tomai-o vós e julgai-o
segundo a vossa lei.
Disseram-lhe os judeus:
A nós não nos é lícito
tirar a vida a ninguém.
Isso foi para que se cumprisse a palavra que dissera Jesus, significando
de que morte havia de morrer.
E começaram a acusá-lo, dizendo:
Achamos este homem
pervertendo a nossa nação, proibindo dar o tributo a César e dizendo que ele
mesmo é Cristo, o rei.
Pilatos, pois, tornou a entrar no Pretório, chamou a Jesus e perguntou-lhe:
És tu o rei dos judeus?
Respondeu Jesus:
Dizes isso de ti mesmo,
ou foram outros que te disseram de mim?
Replicou Pilatos:
Porventura sou eu judeu? O teu povo e os principais sacerdotes
entregaram-te a mim. O que fizeste?
Respondeu Jesus:
O meu Reino não é deste
mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu
não fosse entregue aos judeus. Entretanto, o meu Reino não é daqui.
Perguntou-lhe, pois, Pilatos:
Logo tu és rei?
Respondeu Jesus:
Tu dizes que EU SOU rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao
Mundo, a fim de dar testemunho da Verdade. Todo aquele que é da Verdade ouve a
minha Voz.
Perguntou-lhe Pilatos:
Que é a verdade?
E dito isto, de novo saiu a ter com os judeus. E disse Pilatos
aos principais sacerdotes e às multidões:
Não acho culpa alguma neste homem.
Mas os principais dos sacerdotes e os anciãos o acusavam de muitas
coisas.
Tornou Pilatos a interrogá-lo, dizendo:
Não respondes nada? Vê quantas acusações te fazem.
Mas Jesus nada mais respondeu, de maneira que Pilatos se
admirava. E estando ele assentado no Tribunal, sua mulher mandou dizer-lhe:
Não te envolvas na questão desse justo, porque muito sofri hoje
em sonho por causa dele.
Eles, porém, insistiam ainda mais, dizendo:
Alvoroça o povo
ensinando por toda a Judeia, começando desde a Galileia até aqui.
Então Pilatos, ouvindo isso, perguntou se o homem era galileu.
E, quando soube que era da jurisdição de Herodes, remeteu-o a Herodes,
que também naqueles dias estava em Jerusalém.
O Quinto Julgamento: Político
Ora, quando Herodes viu a Jesus, alegrou-se muito, porque delongo
tempo desejava vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito.
E esperava ver algum sinal feito por Ele.
E fazia-lhe muitas perguntas.
Mas Ele nada lhe respondeu.
Estavam ali os principais sacerdotes e os escribas, acusando-o
com grande veemência. Herodes, porém, com os seus soldados, desprezou-o e,
escarnecendo dele, vestiu-o com uma roupa resplandecente e tornou a enviá-lo a
Pilatos. Nesse mesmo dia Pilatos e Herodes tornaram-se amigos; pois antes
andavam em inimizade um com o outro.
O Sexto Julgamento: Romano
Então Pilatos convocou os principais sacerdotes, as
autoridades e o povo, e disse-lhes:
Apresentastes-me este homem como pervertedor do povo.
E eis que, interrogando-o diante de vós, não achei nele
nenhuma culpa, das de que o acusais. Nem tampouco Herodes, pois no-lo tornou a
enviar. E eis que não tem feito ele coisa alguma digna de morte. Castiga-lo-ei,
pois, e o soltarei.
Nisso, Pilatos tomou a Jesus e mandou açoitá-lo. E os
soldados, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha sobre a cabeça e lhe
vestiram um manto de púrpura.
E chegando-se a Ele, diziam:
Salve, rei dos judeus!
E davam-lhe bofetadas.
Então Pilatos saiu outra vez e disse-lhes:
Eis aqui vo-lo trago
fora, para que saibais que não acho nele crime algum.
Eis o homem!
Saiu, pois, Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura.
E disse-lhes Pilatos:
Eis o homem!
Quando o viram os principais sacerdotes e os guardas,
clamaram, dizendo:
CRUCIFICA-O!
CRUCIFICA-O!
Disse-lhes Pilatos:
Tomai-o vós e
crucificai-o, porque nenhum crime acho nele.
Responderam-lhe os judeus:
Nós temos uma Lei, e
segundo esta Lei ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus.
Ora, Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado
ficou. E entrando outra vez no Pretório, disse a Jesus:
De onde és tu?
Mas Jesus não lhe deu resposta.
Disse-lhe, então, Pilatos:
Não me respondes? Não
sabes que tenho autoridade para te soltar, e autoridade para te crucificar?
Respondeu-lhe Jesus:
Nenhuma autoridade terias sobre mim, se de Cima não te fora
dado. Mas aquele que me entregou a ti, maior pecado tem.
O Sétimo Julgamento: Popular
Barrabás ou Jesus?
Ora, por ocasião da Festa costumava o governador soltar um
preso, escolhendo o povo aquele que quisesse. Nesse tempo
tinham um condenado notório, chamado Barrabás, preso com outros amotinados, por
causa de uma sedição feita na cidade e de um homicídio. E Barrabás era um
salteador.
Portanto, estando o povo reunido, perguntou-lhe Pilatos:
Vós tendes por costume
que eu vos solte alguém por ocasião da Páscoa. Qual quereis que vos solte?
Barrabás ou Jesus, chamado o Cristo, o Rei dos judeus?
Porque ele bem sabia que, por inveja, os principais dos
sacerdotes o tinham entregado.
Mas os principais dos sacerdotes e os anciãos persuadiram as
multidões a que pedissem Barrabás e fizessem morrer Jesus.
O governador, pois, perguntou-lhes:
Qual dos dois quereis
que eu vos solte?
E disseram:
Barrabás!
Tornou-lhes Pilatos:
Que farei então de
Jesus, que se chama Cristo?
Disseram todos:
SEJA CRUCIFICADO.
Pilatos, porém, disse:
Que mal fez ele?
Mas todos clamaram à uma, dizendo:
Fora com este e
solta-nos Barrabás!
Mais uma vez, pois, falou-lhes Pilatos, querendo soltar a
Jesus.
Eles, porém, bradavam, dizendo:
CRUCIFICA-O!
CRUCIFICA-O!
Falou-lhes, então, pela terceira vez:
Não achei nele nenhuma
culpa digna de morte.
Mas os judeus gritavam, dizendo:
Se soltares a este, não
és amigo de César. Todo aquele que se faz rei é contra César.
Pilatos, pois, quando ouviu isto, trouxe Jesus para fora e
sentouse no Tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá.
E disse aos judeus:
Eis o vosso Rei.
Mas eles instavam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado.
E os seus gritos e os dos principais dos sacerdotes redobravam:
TIRA-O! TIRA-O! CRUCIFICA-O!
Disse-lhes Pilatos:
Hei de crucificar o
vosso Rei?
Responderam os principais dos sacerdotes:
Não temos Rei, senão
César.
Ao ver Pilatos que nada conseguia, mas pelo contrário, que o tumulto
aumentava, mandou trazer água e lavou as mãos diante da multidão, dizendo:
Sou inocente do sangue deste justo; seja isso lá convosco.
E todo o povo respondeu:
O seu sangue caia sobre
nós e sobre nossos filhos.
Então, Pilatos julgou que devia fazer o que eles pediam.
E soltou-lhes o que fora lançado na prisão por causa de sedição
e de homicídio, que era o que eles pediam; mas entregou Jesus para que fosse
crucificado.
Os soldados, pois, levaram-no para dentro, ao pátio, que é o Pretório,
e convocaram toda a coorte. E puseram-lhe na mão direita uma cana e,
ajoelhando-se diante Dele, O escarneciam, dizendo:
Salve, rei dos judeus!
E, cuspindo Nele, tiraram-lhe a cana e davam-lhe com ela na cabeça.
Depois de O terem assim escarnecido, despiram-lhe a capa escarlate, e O
vestiram com as suas próprias vestes, e O levaram
para fora, a fim de O crucificarem.
E Ele, carregando a sua própria cruz, saiu para o lugar
chamado Calvário, que em hebraico se chama Gólgota.
E, quando O iam levando, encontraram um homem cireneu, chamado
Simeão, pai de Alexandre e de Rufo, que por ali passava, vindo do campo, a quem
obrigaram a levar a sua cruz.
E puseram-lhe a cruz às costas, para que a levasse após Jesus.
Seguia-o grande multidão de povo e de mulheres, as quais O pranteavam
e lamentavam.
Jesus, porém, voltando-se para elas, disse:
Filhas de Jerusalém, não choreis por mim. Chorai antes por vós
mesmas e por vossos filhos. Porque dias hão de vir em que se dirá:
Bem-aventuradas as estéreis, e os ventres que não geraram e os peitos que não
amamentaram! Então começarão a dizer aos montes: Caí sobre nós! E aos outeiros:
Cobri-nos! Porque, se ao madeiro verde fazem isto, o que se fará ao seco?
E levavam também com Ele outros dois, que eram malfeitores, para
serem mortos.
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